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  • Coletivo Força Motriz

Manifesto do Coletivo Força Motriz


É nosso papel não apenas combater a pobreza, mas o próprio sistema que a cria.
É nosso papel defender os recursos estratégicos brasileiros, e nossa soberania nacional.
É nosso papel lutar para combater o déficit habitacional e construir a reforma urbana.
É nosso papel lutar contra o latifúndio improdutivo e construir a reforma agrária.


Existem muito poucas atividades em toda a história da humanidade tão transformadoras quanto a Engenharia. Somos herdeiros daqueles e daquelas que séculos após séculos lançaram mão do conhecimento científico e da criatividade para construir grandes coisas, não sempre enormes no tamanho, mas na importância para a vida e para o avanço da nossa civilização. Em suma, trabalhamos para resolver os problemas que impedem a evolução da nossa sociedade como um todo. Nosso objetivo é o progresso da humanidade, e nossas ferramentas são o trabalho e a técnica.

Entretanto, fica cada vez mais evidente que deixamos esse caminho. Dia após dia mais escândalos envolvendo profissionais da nossa área vêm a tona, nos quais a ética e a responsabilidade técnica são colocados de lado frente a segundos interesses escusos e individualistas, colocando em risco a vida de centenas, e as vezes milhares de pessoas. Tecnologias inovadoras que seriam capazes de ajudar populações inteiras são secundarizadas diante à outras que são melhores recebidas pelo mercado. Temos muito poder em nossas mãos, mas depende de nós escolher como usá-lo.

Barragem de Mariana, Usina de Belo Monte, Siderúrgica de Santa Cruz no Rio de Janeiro, a bomba atômica. Tantos são os exemplos de como a lógica acumulativa e exploratória do Capital tornou a nossa ação passível de afetar e, não poucas vezes, destroçar a vida de populações de aldeias e cidades inteiras num piscar de olhos. A técnica nos dar o poder de usá-la como motor do desenvolvimento, mas também como arma de destruição em massa.

Somos formados para ignorar os impactos sociais e ambientais do que construímos, não porque somos incapazes de compreender qualquer outro tipo de conhecimento que não seja numérico, mas porque é muito perigoso que consigamos fazer isso. Nós somos as calculadoras e as engrenagens centrais de um sistema criminoso que se alimenta de exploração, o núcleo de processamento responsável pela eficiência de toda o mecanismo até seu último encaixe. Hoje em dia, não se constrói um parafuso sem Engenharia, e, por isso, é inconcebível para a máquina que o seu centro de funcionamento tenha noção da sua verdadeira responsabilidade social. Não é a toa que qualquer aprendizado humanizado que fuja do simples cálculo é visto como desnecessário e atrasado em nossas universidades, formando profissionais e cidadãos com altíssimo saber em COMO produzir, mas não no PORQUE. Ou pior, no POR QUEM.

Mas, não é para isso que serve a Engenharia. O nosso verdadeiro papel é utilizar o conhecimento e a prática científica para fornecer todas as bases materiais que o povo brasileiro necessite pra sobreviver, produzir máquinas que trabalhem a favor do ser humano, e não da sua subjugação. Estar presentes no dia a dia da nossa populações mais necessitada, para poder compreender como, porque, e o que precisam.

É nosso papel criar tecnologias que melhorem a vida da maioria pobre, e não da minoria rica.


É nosso papel não apenas combater a pobreza, mas o próprio sistema que a cria.


É nosso papel defender os recursos estratégicos brasileiros, e nossa soberania nacional.


É nosso papel lutar para combater o déficit habitacional e construir a reforma urbana.


É nosso papel lutar contra o latifúndio improdutivo e construir a reforma agrária.



É nosso papel construir a liberdade, e não a exploração.

Nesse sentido, acreditamos que o objetivo de uma Engenharia realmente comprometida com o desenvolvimento nacional brasileiro e a soberania do seu povo só pode ser alcançado uma vez que se integre na luta pela construção de uma NOVA MAIORIA no nosso país, isto é, um campo de forças sociais capazes de iniciativa na luta política que busque pela hegemonia em todas as dimensões da vida social. Para isso, nossa linha é a UNIDADE entre os movimentos e grupos que lutem pelo mesmos objetivos que nós, e nosso campo de atuação é o COTIDIANO do povo brasileiro, dentro das universidades, escolas, favelas, ocupações, e quaisquer espaços onde o conhecimento e a técnica de engenharia são necessários para a libertação de nossa gente. PÁTRIA LIVRE, VENCEREMOS!

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