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  • Coletivo Força Motriz

A entrega do Pré-Sal e o golpe da Dependência

É nesse contexto, na existência de tais necessidades de tais atores, que o golpe no nosso país, engendrado pelos setores da elite mais entreguistas e alinhados ao capital estrangeiro, ganha materialidade.

Semana passada o nosso povo recebeu mais uma dura perda que representará um dos maiores retrocessos de nossa história. O Pré-Sal, uma reserva colossal da fonte energética mais importante que existe hoje no mundo, uma riqueza estratégica que poderia impulsionar o desenvolvimento nacional e a criação de um Brasil com mais recursos e progresso pra sua gente, foi entregue numa bandeja de prata ao capital estrangeiro pelos seus serviçais entreguistas. O golpe constitucional que sofremos esse ano está longe de acabar com o impeachment, esse se configura apenas como um meio de conquistar o verdadeiro objetivo dos seus financiadores: fazer o Brasil permanecer na sua condição histórica de dependência.


  • Os resquícios da colonização:

Faz 516 anos que a espoliação de nossas terras e nossa gente começou com o pretexto das civilizações “mais avançadas” trazerem o progresso e as maravilhas da humanidade, em oposição à nossa suposta barbaridade e desumanidade. Em troca, nossos colonizadores se deram o direito de explorar nossas terras e nossa gente conforme lhes

fosse conveniente. Nossos antepassados foram escravizados, violentados e nossas maiores riquezas foram expropriadas ao bel prazer das potências que se industrializaram com nosso suor, primeiro pelos europeus, e depois pelos norte-americanos. Fomos forçados a financiar os homens que nos subjugaram e sua revolução industrial. Os tempos passaram, e mesmo depois de nossa independência, a colonização se configurou em dependência econômica, e a dependência econômica se tornou novamente controle político. Nos tornamos livres apenas no papel, nominalmente, mais a realidade é que cada vez estávamos mais presos na divisão internacional do trabalho e na incumbência de vender produtos primários para importar mercadorias de alto valor agregado. Vender ferro pra comprar aço, grão de café para comprar o pó. Mesmo depois de nossa própria industrialização e de os tornarmos uma das maiores economias do mundo, continuamos presos às correntes do preço das commodities, da inflação reincidente, das crises cambiais, da dívida pública exorbitante e da troca desigual de mercadorias. Permanecemos escravos do capital monopolista e do mercado externo.


  • “A história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”:

Fonte: http://www.presalemjogo.com.br/#presal


Em 2007, a geopolítica internacional sofreu um abalo com a descoberta do que poderia ser uma das maiores reservas de petróleo existentes no planeta no momento: o Pré-Sal brasileiro. Uma fonte energética com o potencial de produzir grandes acumulações de óleo leve da alta qualidade a preços baixíssimos, uma riqueza essencial para o desenvolvimento do Brasil e a dinamização de nossa economia, a maior disponível sobre a administração do Estado. Mas mais ainda do que isso, o Pré-Sal constitui um recurso indispensável em um sistema econômico alimentado pela energia da queima do petróleo, dentro do qual sua posse representa um fator estratégico dentro do jogo de forças do capitalismo internacional, principalmente durante uma fase de recessão. A conquista seu monopólio representa não apenas uma vantagem econômica colossal, mas antes de tudo uma necessidade para as grandes empresas e os países centrais manterem sua hegemonia no plano geopolítico global. Evidentemente, a última coisa que esses atores têm interesse é na exploração dessa riqueza para as necessidades de nosso desenvolvimento e nosso povo, principalmente se tratando de um país periférico como o nosso, que, a despeito de sua posição dependente dentro do mercado mundial, cada vez mais ameaça sua influência no mercado internacional. A Petrobrás, uma empresa estatal com o potencial de se tornar uma das maiores do mundo, com tecnologia pioneira para a exploração do Pré-Sal, que o diga. Seu desmonte remonta a muito tempo antes da consolidação do golpe, com uma propaganda massiva da grande mídia para convencer as massas a seguir o caminho da privatização, da dependência.

É nesse contexto, na existência de tais necessidades de tais atores, que o golpe no nosso país, engendrado pelos setores da elite mais entreguistas e alinhados ao capital estrangeiro, ganha materialidade. O processo de impeachment não deve ser visto como um fim em si mesmo, mas como um meio para alcançar o que realmente importa para seus financiadores: o controle sobre os recursos escassos e as riquezas de nossa terra, podendo ser essas o trabalho de nosso povo, que sofre com a ameaça do fim da CLT e do desmonte da previdência; nossos impostos e nossa receita estatal, ameaçados pelos cortes públicos e, principalmente, pela condensação do projeto político do golpe na PEC 241; nossos produtos naturais, água, nióbio, minério de ferro e, é claro, a joia da coroa, a maior riqueza concentrada de nossa história, o Pré-Sal. O golpe, portanto, é necessariamente um golpe contra nossos direitos e nossa soberania, pois alcançar seus objetivos envolve diretamente usurpar os frutos de nossa terra, o suor de nosso trabalho, e aprofundar mais nossa condição de dependência ao capital estrangeiro. Uma posição confortável e, antes de tudo, necessária para as grandes empresas e países centrais que lucram e que, muitas das quais, sempre lucraram com nossa miséria. A história se repete, somos mais uma vez invadidos pelos estrangeiros “superiores” que querem levar nosso ouro em troca de espelhos.

  • Uma alternativa e uma incumbência:

Nesse momento, se reforça cada vez mais a necessidade da unidade de nosso povo contra os ataques à nossa pátria e a nossa soberania nacional. Mesmo com todas as nossas divergências ideológicas e antíteses políticas, somos todos nós que pagaremos o preço desse golpe, que não será barato. Esse preço virá da saúde, da educação pública, e da previdência social que precisamos tanto, e, em última instância, de nossos impostos e de nosso trabalho. É o momento de começar uma frente ampla de resistência e mobilização contra mais uma etapa obscura de nossa história, que, enquanto não for combatida e superada, só aprofundará o caos social e humanitário que nosso país se encontra.


Nota do coletivo Força Motriz sobre o maior assalto da história do nosso país.

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